Acordei e comecei a ler as manifestações nas redes sociais e na imprensa. Também senti necessidade de desabafar, por isso, tô aqui escrevendo neste blog depois de mais de um ano sem postar nada. Postei uma frase de lamentação no Twitter, compartilhei um link no Facebook, mas não fiquei satisfeita. Preciso botar pra fora. 'Falar muito'. E não quero fazer isso no Facebook onde várias pessoas vão ler e comentar. Só quero botar pra fora, fazer meu mimimi, sem ficar debatendo...
A Copa está acontecendo no Brasil e é a Copa das Copas. Muitos protestaram, disseram que o Brasil daria vexame e tals. Mas não é isso que tá acontecendo. Tá dando tudo certo. Recebemos bem os gringos - até São Paulo eles estão amando. Não temos notícias de casos de violência, problemas nos estádios ou qualquer outra coisa que poderia ter dado errado.
Os resultados dos jogos também foram surpreendentes. Espanha eliminada na primeira fase. Times desacreditados, como a Costa Rica, que ganhou do Uruguai e da Itália, e chegando nas oitavas... Seleções campeãs tomando goleadas - Holanda fez 5 a 1 na Espanha; a Alemanha, 4 a 0 em Portugal.
Mas voltando a falar da seleção brasileira, desde o início eu acreditava que o Brasil seria hexa. Não porque achava que tínhamos o melhor futebol, mas acreditava que camisa ganha jogo. E, além disso, a Copa é no Brasil! Como não vamos ganhar? Pois é, não seremos hexa. Perdemos (feio) nas semifinais. Tomamos 7 gols.
Não acho que com a presença do Neymar e do Thiago Silva em campo teria sido diferente. Perderíamos com ou sem eles, talvez um gol a menos, mas 6 ou 7...
Alguns queimaram a bandeira do Brasil. Outros xingaram nas redes sociais. Também teve que dissesse que mesmo com a derrota é brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Sou dessas. Tô triste, porque queria a alegria de ser hexa em casa. Mas já que não deu, bola pra frente. E vamos rir com a zuera na internet :)
Desde o início acompanhei os jogos em lugares cheios, queria sentir a vibração de todos juntos unidos por uma só torcida - sentimento que só temos durante a Copa. Cantei o hino a capela, abracei desconhecidos para comemorar.
Ontem, passei a manhã discutindo com as minhas amigas qual seria o melhor lugar para ver jogo e comemorar a vitória - que eu tinha certeza que viria. Saí correndo do trabalho pra não me atrasar. Engoli o almoço pra pegar o melhor lugar no bar. Sentei em frente o telão e fiquei esperando ansiosa o apito inicial.
No primeiro gol da Alemanha, pensei: "Tudo bem. É bom pro Brasil acordar". Aí veio o segundo, o terceiro, o quarto... não dava para acreditar. Fiquei paralisada. No meio do jogo me disseram que o Plínio de Arruda Sampaio tinha morrido. Fiquei em choque, mas não acreditei muito. "Sério? Logo hoje?". Como se existisse dia certo para morrer. No intervalo, dei uma olhada nas redes sociais e comprovei: "Morreu mesmo". Chorei. Um pouco pelo Plínio, que admiro muito, e talvez um pouco por mim também, pelo fim do sonho de ver o Brasil campeão mundial. Afinal, já estava 5 a 0. Nem como todo o meu otimismo dava para acreditar numa virada.
Assisti o segundo tempo triste pelo que via em campo e desacreditada da torcida que foi embora do estádio, das pessoas que pagavam a conta no bar, de quem vaiava. Não entendo este tipo de atitude. Gosto de enfrentar o que for de cabeça erguida até o fim. A seleção brasileira não são apenas o jogadores em campo. É a torcida também. Prestei atenção no jogo até o último minuto, mesmo sabendo que não dava mais. Se eu tivesse no estádio, certamente não estaria cantando e incentivando o time, mas teria ficado até o final e não vaiaria. Sou contra. Afinal, mais ajuda quem não atrapalha.
Eram 11 garotos com a responsabilidade de fazer a seleção brasileira campeã. Tomaram 5 gols em 30 minutos. Precisava vaiar? Eles já sabiam que estavam ferrados. E os gritos de olé? Enfim, não me sinto no direito de julgar a reação das pessoas nos momentos de nervosismo, revolta e tals. Mas já julgando, não acho legal.
Após o apito final restou a cerveja, o samba... é se divertir para esquecer.
O sonho acabou.
A música que a seleção escolheu como tema da Copa nunca fez tanto sentido:
"Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé. Manda essa tristeza embora. Pode acreditar que um novo dia vai raiar. Sua hora vai chegar."
Não existe um culpado. O Felipão pode ter errado na escalação. Os jogadores podem não ter aguentado a pressão. Mas ninguém ganha sozinho. E ninguém perde sozinho também.
Ficou a lição: não dá pra acreditar só na vitória pela camisa. Enquanto o Brasil aposta só no talento dos seus jogadores, todas as outras seleções estão treinando e investindo para se superarem. O Brasil precisa de mexer e ter humildade para reconhecer e reparar os erros.
Temos quatro anos pra absorver esta derrota, amadurecer e arrumar a casa. Talvez com os mesmos jogadores desta Copa - acho que até o Júlio César tem idade pra jogar em 2018. Pode ser também que um novo super talento apareça. Não dá pra prever. Enfim, temos quatro anos para tentar novamente...
Agora é torcer pra Holanda ganhar da Argentina - perder nas semis e ver a Argentina na final seria uma tragédia ainda maior. E torcer mais ainda para que o Brasil ganhe o próximo jogo (dos hermanos, de preferência) e seja o 3° colocado. Se esta posição já é sofrida, ficar em 4° seria a morte...
Ah, ficou também o amor pelo David Luiz <3 br=""> 3>

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