Ontem, dia 5, morreu o presidente da Venezuela, Hugo Chavez. Hoje, dia 6, morreu o vocalista e líder da banda Charlie Brown Jr, Chorão. Pessoas públicas, que estão expostas o tempo todo e a todos os tipos de opinião. Sempre tem gosta e quem não gosta. Como dizem 'nem Jesus agradou a todos'. Normal.
Quem era fã, coloca pra fora toda a dor que está sentindo por perder uma referência, uma pessoa querida, um líder, um exemplo, ou seja lá o que for que considere. E quem não gostava, solta um 'já foi tarde', 'não fez nada de bom', 'estão exagerando'... e sempre tem aquele 'agora que morreu virou santo'. Além de criticar e reclamar dos que expressam sua dor.
Essa falta de respeito com o outro é que me assusta. A morte sempre vem acompanhada da dor - da família, dos amigos, dos admiradores.
Chavez estava doente. Não morreu, descansou. Mas, mesmo assim, aceitar a morte é sempre difícil. Os admiradores choram e os opositores tripudiam.
Chorão ainda não teve a causa da morte confirmada. A suspeita é overdose. Os amigos dizem que ele estava sofrendo com depressão. Mas independente da vida que levou, das letras que cantou e das brigas que se meteu, era um ser humano. Errou e acertou. Chorou e sorriu. Fez chorar e fez sorrir. Merece respeito.
Não existe morte mais fácil ou mais difícil de aceitar. Mas a surpresa, com certeza, choca.
O Chorão era jovem (tinha 42 anos e eu não dava nem 30... nem atentei para os 20 anos de carreira), morava em Santos, cantava Santos e para Santos. Normal que me chocasse mais. E, além disso, é triste ver uma pessoa morrer angustiada. O cara tinha milhões de fãs e admiradores, mas no final estava sozinho... e devia se sentir sozinho. Eu não era superfã, mas curtia. Sei cantar e posso citar diversas frases com as quais concordo. Tô triste com a morte do Chorão. Me emociono a cada matéria na TV, a cada post no Facebook. Tô triste com o comentário de algumas pessoas, que não sabem respeitar a dor do outro. Não a minha. Mas a dor de quem o considerava um ídolo, da família, dos amigos... E me assusta a abordagem da mídia. Vi fotos do corpo no apartamento... li manchetes que citavam o 'pó suspeito'. Aff. Muito sensacionalismo. Completamente desnecessário.
Mas, enfim, as reações dos não-fãs me fizeram lembrar a música Saiba, do Arnaldo Antunes, que mostra que independente de qualquer coisa, somo todos iguais e, me repetindo, merecemos respeito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário