domingo, 3 de fevereiro de 2013

Guerreira, de Alessandro Buzo


A linguagem das ruas. A história das ruas. Assim é ‘Guerreira’, de Alessandro Buzo.

Encontrei o livro em uma estante da biblioteca ‘Mario de Andrade’ montada em comemoração ao aniversário de São Paulo. Passando os olhos li ‘Alessandro Buzo’ e logo me lembrei do cara que faz matérias sobre as manifestações culturais da periferia de São Paulo para o SPTV.

Nunca tinha ouvido falar no livro, mas sabia que viria uma história forte, envolvendo dramas enfrentados por quem vive à margem da sociedade. Peguei na hora!

Li as 116 páginas em uma tarde. Uma história envolvente contada com uma linguagem simples, com gírias e até explicações sobre os termos. Sabe uma mesa de bar e um colega te contando um causo? Foi assim que me senti.

Vale destacar que a história é contemporânea e se passa em São Paulo. Ou seja, fala do trem, da avenida X, do bairro Y. Tudo muito próximo e muito real. O que causa ainda mais a impressão de ‘mesa de bar’.

Mas quando penso numa história que envolve drogas, não consigo imaginar um final feliz. Sei que eles existem e torço para que todos os que passam por este problema consigam se livrar. Mas desde o início, eu esperava um fim trágico. Como uma lição de moral: se você começa assim o seu fim será este. Por isso, fiquei surpresa e até decepcionada no final.

“Mas já acabou? Acaba assim? Parece conto de fadas.”

Só esqueci que o livro não foi escrito por alguém que quer dar uma lição de moral. E sim por quem conhece a realidade do gueto – que a maioria (como eu) só acompanha pelas manchetes dos jornais e cria os estereótipos em sua cabeça (como eu). A história é contada. Sem julgamentos. Eu, como leitora, fiz os meus. Mas isto não é importante.

Também esqueci de atentar para o nome do livro ‘Guerreira’. E quem luta sempre tem a chance de alcançar a vitória.

E como Buzo escreveu em seu blog: "Rose é a guerreira, não porque seja exemplo de nada, só é guerreira porque até quando esteve (algumas vezes) no fundo do poço, sonhou com um final feliz."