A linguagem das ruas. A história das ruas. Assim é
‘Guerreira’, de Alessandro Buzo.
Encontrei o livro em uma estante da biblioteca ‘Mario de
Andrade’ montada em comemoração ao aniversário de São Paulo. Passando os olhos
li ‘Alessandro Buzo’ e logo me lembrei do cara que faz matérias sobre as
manifestações culturais da periferia de São Paulo para o SPTV.
Nunca tinha ouvido falar no livro, mas sabia que viria uma
história forte, envolvendo dramas enfrentados por quem vive à margem da
sociedade. Peguei na hora!
Li as 116 páginas em uma tarde. Uma história envolvente
contada com uma linguagem simples, com gírias e até explicações sobre os termos.
Sabe uma mesa de bar e um colega te contando um causo? Foi assim que me senti.
Vale destacar que a história é contemporânea e se passa em
São Paulo. Ou seja, fala do trem, da avenida X, do bairro Y. Tudo muito próximo
e muito real. O que causa ainda mais a impressão de ‘mesa de bar’.
Mas quando penso numa história que envolve drogas, não
consigo imaginar um final feliz. Sei que eles existem e torço para que todos os
que passam por este problema consigam se livrar. Mas desde o início, eu
esperava um fim trágico. Como uma lição de moral: se você começa assim o seu
fim será este. Por isso, fiquei surpresa e até decepcionada no final.
“Mas já acabou? Acaba assim? Parece conto de fadas.”
Só esqueci que o livro não foi escrito por alguém que quer
dar uma lição de moral. E sim por quem conhece a realidade do gueto – que a
maioria (como eu) só acompanha pelas manchetes dos jornais e cria os
estereótipos em sua cabeça (como eu). A história é contada. Sem julgamentos.
Eu, como leitora, fiz os meus. Mas isto não é importante.
Também esqueci de atentar para o nome do livro ‘Guerreira’.
E quem luta sempre tem a chance de alcançar a vitória.
E como Buzo escreveu em seu blog: "Rose é a guerreira, não porque seja exemplo de nada, só é guerreira porque até quando esteve (algumas vezes) no fundo do poço, sonhou com um final feliz."
