quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

"com um sorriso derrubo uma tropa inteira"

mano, que energia é essa?
tô A D O R A N D O metá metá


Regulamentação da publicidade infantil: eu apoio!

Nasci em 1986. A TV já era a minha babá eletrônica, mas, naquela época, a preocupação do mercado em vender produtos para as crianças era muito menor. Tinha a propaganda da Barbie e claro que eu queria. Mas eu não era uma criança consumista que gritava na porta das lojas pedindo brinquedos para a minha mãe. Mesmo porque se eu fizesse isso levaria um belo de um tapa – naquela época podia.

A publicidade voltada para a criança não é um dos assuntos mais discutidos, mas eu me interesso cada vez que vejo uma manchete sobre o tema. Há quem defina o controle da publicidade infantil como censura. Eu vejo como uma forma de ajudar a cuidar do planeta. Sabe economizar água ou reciclar o lixo? Para mim está tudo no mesmo patamar.

Dizer que as crianças são o futuro do planeta é chover no molhado. Mas é verdade. Acredito que devemos fazer o possível para oferecer uma boa infância, com todas as bases – educação, saúde, afeto e etc. – para formar um bom adulto. Sei que não existem regras ou fórmulas de como fazer dar certo. Mas existem exemplos do que deu errado ou pelo menos indícios.

Não há como negar que o consumismo é um mal da nossa sociedade. Quantos ladrões roubam para comer? O trombadinha que roubou um tênis na esquina não estava descalço. Ele queria um tênis ‘de marca’. E de onde surgiram estas referências? Da TV.

A propaganda diz “este tênis é legal e vai fazer com que você seja legal também”. E isso sendo repetido 12 horas por dia na cabeça de uma criança faz toda a diferença. Por isso, sou a favor da regulamentação da publicidade infantil pelo governo. Os males causados resultam em problemas sociais, então a prevenção também é uma questão social. E quem deve cuidar da sociedade – oferecer saúde, educação, segurança, etc – é o governo.

Há quem defenda a ação do Conar. Mas como um órgão sustentado pelos próprios publicitários pode ser imparcial? Sem contar que até que o Conar tome uma atitude a propaganda já está há um mês sendo veiculada. Avaliar se uma propaganda é adequada ou não para determinado horário e público não é censura nem esta impedindo a liberdade de expressão de ninguém.

Regulamentar a publicidade infantil é permitir que um especialista avalie se o conteúdo que será transmitido N vezes em canais de TV e será visto inúmeras vezes por pessoas de diversas idades e poder aquisitivo pode ou não influenciar uma criança de forma negativa. E acredito que esse tipo de avaliação deve ser feito não só com propagandas, mas com todo o conteúdo televisivo, como desenhos animados e novelas, por exemplo.

A obrigação de cuidar das crianças é de todos. Da família e da sociedade. Se uma criança é espancada quem vê não pode fazer uma denúncia? Regulamentar a propaganda tem a mesma função. Se ao denunciar um espancamento a intenção é proteger das agressões e dos traumas que podem ser causados, controlar a publicidade infantil é tentar evitar que a criança adquira referências sociais deturpadas.